Mãe Mirian

Nome: Mírian Araújo Souza Melo

Conhecido como: Mãe Mirian – Iya Binan

Local e Data de nascimento: 09/06/1934, Piranhas/Alagoas

Atividade Reconhecida: Ialorixá

Contato: (82) 3320-2504/99981-5910/99372-0572

E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Endereço: Rua Antônio Zeferino dos Santos n 239, Jacintinho, Maceió/Al CEP 57042-030

Histórico: Mirian Araújo Souza Melo, conhecida como Mãe Mirian, nasceu em Piranhas, às margens do Rio São Francisco. Desde cedo, ela despertou para os Orixás, com apenas 12 anos, devido a problemas de saúde. Mesmo no ventre de sua mãe, Isaura Gomes de Araújo, Mirian já manifestava fenômenos misteriosos: passou nove meses sem se mover e, segundo relatos, chorou três dias antes de nascer. Isaura conta que, ainda grávida, se assustou, saiu correndo e desmaiou, entrando em trabalho de parto. Naquele dia, uma enchente no Rio São Francisco causou o surgimento de vários olhos d'água dentro de sua casa.

A infância de Mirian foi marcada por muito sofrimento e diversas doenças, como catapora, sarampo, sarna e bexiga, entre outras. Seu corpo estava coberto de chagas, mas com muito tratamento, ela foi curada. Aos 7 anos, seu pai se separou de sua mãe e a levou consigo, aumentando ainda mais seu sofrimento. Mirian foi fisicamente maltratada pela nova companheira de seu pai. Aos 12 anos, ela conseguiu fugir e reencontrar sua mãe.

Nessa idade, Mirian começou a ter alucinações e sofria com obsessões que não compreendia. Sua mãe, acreditando que era malcriação, a castigava. Um dia, desesperada, Mirian correu em direção ao mar na Avenida Duque de Caxias, em Maceió, sendo socorrida por pessoas na praia. A vizinhança sugeriu à sua mãe que a levasse à casa de Senhora Anália Dantas, uma Ilalorixá recém-chegada do Rio de Janeiro, da Nação Nagô, na Rua Castro Alves, bairro do Poço.

Assim, Mirian iniciou seus trabalhos religiosos em uma época de grande perseguição governamental aos praticantes. Os pais de santo eram agredidos, seus pertences destruídos, e muitos eram presos. Era comum ver pessoas carregando seus objetos em trouxas na cabeça, sendo espancadas com caixotes de sabão, cabaças ou palmas nas mãos, como nas casas de Pai Aurélio, Mãe Balbina, Miguel Bernardo, Maria de Alcântara e Anália Dantas, sua zeladora.

Tempos depois, sua zeladora viajou à Bahia com um grupo de oito pessoas para conhecer a comunidade do Terreiro conhecido como Posú Beta, onde Manoel Falefá era o responsável. Em uma ocasião festiva nesse terreiro, foram recolhidos e iniciados por ele no ritual Jejê.

Mirian Araújo Souza Melo foi registrada no Livro de Tombo em 2021 como Patrimônio Vivo pelas Religiosidades de Matrizes Africanas, reconhecendo sua dedicação e contribuição inestimável para a preservação dessas tradições culturais e religiosas.

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